Sunday, November 1, 2009

Política em Massachusetts

Impressionante como nos últimos meses apareceram tantos novos personagens na nossa política local. Enquanto isso, velhos personagens da política local tentam disputar um espaço maior na nossa comunidade, querendo marcar território. Na política sempre vai ter espaços para todos eles. Velhos, novos, aspirantes e candidatos salvadores da pátria, do nada como sempre, aparecem. Uma corrida que mexe com os brios de muita gente, que respira, transpira, vive e sonha com isso. Inevitavelmente, de tempos em tempos, toda a população se envolve e discute alguma coisa sobre política. E quando se aproxima a hora de eleger um representante para alguma função que deveria proporcionar, através da sua representatividade, um bem coletivo, nosso estado parece preparar o seu caldeirão sobre o assunto.

Já alguns meses o foco de nossa comunidade se voltou para os políticos americanos de olho na legalização e a expectativa de se ter políticos brasileiros no USA com representatividade no Brasil, com poder de interceder em favor dos brasileiros que vivem aqui.

Em razão do meu trabalho tenho participado de inúmeras reuniões políticas aqui em MA. De todas que fui não sei quantas vezes já fui convidado a me tornar membro delas. Apesar dos membros nas reuniões quererem me convencer que minha participação seria um bem para comunidade, sempre neguei todos os convites. E não foram poucos. Sempre com a mesmo resposta: se eu fizesse parte de qualquer movimento político eu iria perder a minha neutralidade e isenção de opinar, escrever e publicar sobre aquele movimento. Mais do que isso, estaria sempre sob suspeita de passividade, de ser condescendente com meus colegas políticos.

Na política quando alguém quer fazer parte e ser integrante ativo de alguma legenda, grupo ou ONG, com aspirações de conseguir votos, deve se afastar de suas funções profissionais quando estas são conflitantes com a ética, regra desconhecida aqui em MA. O brasileiro daqui dos USA ainda vive com seus vícios políticos do Brasil. É praticamente certo que no próximo ano vamos eleger dois ou quatro representantes de MA. Isso porque alguns afirmam que serão dois, outros quatro, para os USA. Enquanto o documento oficial não sai vamos ficar com as duas hipóteses.

Independente disso, definitivamente vamos ter que votar. Em quem vamos votar? Tivemos uma experiência recente de uso dinheiro público pelo cônsul de Boston para política local na Conferência dos Brasileiros no Rio de Janeiro. Foi um desastre! E pegou mal até para quem se beneficiou. Como diz um conhecido ditado: “Fazer cortesia com o chapéu dos outros é bom e fácil”. E foi isso que o cônsul fez, sem uma consulta popular. Ele precisava ter a simpatia de alguns no meio depois dos muitos desastres administrativos que vem cometendo. Quando será que ele implementará as carteiras consulares já disponíveis em todos os consulados brasileiros no USA aqui em MA? Quando será que vai ativar os consulados itinerantes que existem em todos os consulados brasileiros nos USA aqui em MA? Quando será que uma família vai poder agendar todos, para irem num só dia no consulado? E quando o cliente do consulado vai poder escolher o dia e a hora do seu agendamento? Resolvendo estes pontos, já começa melhorar, e nem vamos falar de reforma no ambiente para receber os clientes.

E pra terminar, outro dia olhei uma matéria de um aspirante a político da região na manchete de um jornal local. Ele disse que vai falar com o governador de MA para ele conceder a carteira de motorista aos “indocumentados”. Será que as campanhas já começaram? Isso tem alguma coisa com projeção política? Teve outro político de carteirinha aqui de MA que noticiou para todo mundo que por motivos de doença na família iria ao Brasil, bem na ocasião da Conferência no Rio de Janeiro. Em nenhum momento falou em ir ao Rio na Conferência. Ele foi fotografado circulando todos os dias na conferência no Rio. Será que podemos dizer que isso foi um “lob”? Tem certas coisas que nem político entende.

Paulo Monauer

Elena Desserich: manchete em todo os USA

Num mundo de caos, ainda há mensagens de amor.



A história de amor de uma garotinha de apenas seis anos por sua família tomou conta dos noticiários e dos jornais esta semana. Seu nome: Elena Desserich, de Cincinnati Ohio.

Elena foi diagnosticada com câncer no cérebro, já em estágio terminal. Os médicos lhe deram 135 dias de vida.

Para seu pai Keith, e sua mãe Brooke, a notícia foi devastadora. Gracie, sua filha mais nova estava prestes a perder sua irmã mais velha.

Apesar do tratamento, das visitas constantes ao hospital, os pais de Elena não quiseram que ela soubesse de fato o que inevitavelmente iria acontecer: Elena iria partir em breve.

Então eles elaboraram uma “to do list”; coisas que ela adoraria fazer. A imaginação deu asas e Elena surgiu com as mais diferentes atividades: dirigir um carro, nadar com golfinhos, conhecer a torre Eiffel (seu pai até hoje tenta descobrir de onde ela tirou essa última ideia)... Para sua irmã deixou um guia escrito sobre o jardim de infância e para seu pai, a tradicional dança entre filha e pai no casamento. Mesmo não sendo o seu casamento, Elena dançou com seu pai: ”Vai ser um dos momentos mais marcantes que tivemos jutos. Fui capaz de dançar com minha filha...” desabafou Keith.

O tumor era inoperável e no estágio final da doença Elena não podia mais falar. Se expressar suas vontades com a fala não era mais possível Elena encontrou um jeito muito especial de fazê-lo: escrevendo, desenhando e pintando.

Sua mãe cortava os papéis em forma de coração, quando estes acabavam ela usava “post it”, até os comprovantes do banco eram usados para escrever e desenhar mensagens como: Mamãe amo você, Papai, mamãe e Gracie, amo vocês. As mensagens se estenderam aos seus avós e até o cachorro de sua tia não foi esquecido. Quando não havia palavras, bastava um papel coberto de corações para se fazer entender: Elena amava muito a sua família.

O que mais emociona é que muitos dos bilhetes e desenhos feitos por essa garotinha, que adorava ler e pintar, foram encontrados após a sua morte. Faz dois anos que a pequena garotinha sucumbiu ao câncer após 255 dias feito o diagnóstico. Centenas de bilhetes foram encontrados, nos mais inusitados lugares. Não há dúvida de que ela os escondeu esperando que fossem encontrados.

O último foi descoberto essa semana no meio de velhos livros de culinária, que sua mãe folheava.

Hoje os pais de Elena entenderam que apesar da pouca idade e da tentativa de esconder o que acontecia, ela de algum modo sabia. Elena escondeu seus bilhetes por toda a casa: no meio dos livros, nos jeans de seu pai, nas suas gavetas, na escrivaninha, no criado mudo, em malas, no meio dos pratos da estante... “Cada vez que encontro um desses bilhetes é como se estivesse recebendo um abraço dela”, desabafa sua mãe.



Com o intuito de não deixar que Gracie esquecesse sua “big sister”, seus pais escreveram um diário, que agora se tornou livro, chamado Notes Left Behind. O livro reúne desenhos, cartas, bilhetes e tudo o que aconteceu com essa notável garotinha nos seus 255 dias após o diagnóstico. Todo o dinheiro arrecadado será destinado à organização chamada The Cure Starts Now, criada pelos pais de Elena, para a pesquisa do câncer.

“Elena sempre quis ser professora. Ela ficaria surpresa com fato de que o mundo tenha se tornado a sua classe de aula. Ela está ensinando lições valiosas para todo o país e para o mundo”, disse sua mãe.

Os pais dessa garotinha mantêm ainda seladas as últimas mensagens que Elena escreveu para eles. Sua mãe diz que essas cartas são um seguro/apólice. “Não queremos abrir porque queremos acreditar que nunca deixaremos de encontrar os bilhetes que ela nos deixou. Sabemos que o que ela escreveu é muito especial. E sabemos que suas últimas palavras estão lá...”

Em meios a notícias de guerras, homens bombas, fome, doenças, balas perdidas, é muito reconfortante saber que temos verdadeiros anjos e que eles estão mais perto do que imaginamos. Não precisa ter asas, auréola, nem andar sobre as nuvens. Basta apenas deixar mensagens de amor e esperanças escondidas, esperando apenas serem encontradas...

M. Reyes

Fotos : Divulgação