Thursday, May 13, 2010

Carecas em alta! Será?

Sempre que perdemos tudo ou parcialmente alguma coisa que tínhamos com abundância ou não, e adorávamos, acabamos valorizando demasiadamente o que já não temos mais ou o que restou. Eu gostaria de falar de algo que já tive naturalmente, e hoje convivo com o que ainda me sobra, não sei por quanto tempo. Falo dos meus cabelos.

Pertencer à turma dos carecas, raramente é uma opção. Claro que aqui na América esta regra não se aplica. Aqui existe uma “febre nacional” de rapar a cabeça que não sei de onde que veio. Mesmo estando em um território favorável aos carecas, algumas vezes sinto saudades dos meus cabelos. Não descobri como meus fios de cabelos debandaram sem um aviso-prévio, ou um tchau. Simplesmente fugiram, literalmente abandonaram o “barco”, ou melhor, a cabeça, e todos à surdina, pois nunca os vi caindo.

Você e careca? Não. Que maravilha! Tem gente que gosta de estar careca por natureza, claro existem outros que adoram viver sem cabelo por opção. Por prazer vão ao cabeleireiro, praticar o mais simples dos cortes: “Passa a máquina zero aí, por favor!” Já chegam logo falando antes de sentarem na cadeira. Mas eu especificamente convivo bem com a minha “careca progressista”.

São inúmeras as vantagens de não se ter cabelo. Não precisa pentear ou passar gel. Além de não necessitar de muito xampu ou condicionador, e nem vou comentar nada sobre o secador de cabelo, escova e tudo mais. Descabelar-se, é totalmente inviável. Já pensou acordar pela manhã e não ter que se preocupar com cabelos. Se uma pessoa normal (com cabelos) vai ao cabeleireiro uma vez mês, o calvo ou careca pode ir a cada dois meses, etc. Mas por outro lado tem as desvantagens. No inverno, com neve ou chuva caindo nela (careca) quando esta desprotegida é horrível. E no verão você nunca viu um homem desprovido de pelos na cabeça depois de uma tarde exposta ao sol. Normalmente acaba com a cabeça vermelha, e dois dias depois descascando. Hum! Sei o que isso. Proteção às vezes não é uma opção é uma necessidade. Além do que alguns prazeres ficam totalmente proibidos como: Seus cabelos nunca vão cair nos olhos e jamais vão estar decorados (pintados ou cortados) do jeito que você quiser. Às vezes o cabelo ajuda na plástica facial, da um ar diferente ao rosto. Para um careca isso esta fora de questão. E aquele “tupete”, quando vai poder usá-lo?

Outro dia quando fui cortar o cabelo, percebi uma dura realidade que até então desconhecia. Logo que sentei na cadeira veio à pergunta: Como você quer o corte? Uma vez que o meu barbeiro estava de folga naquele dia, olhei para o que se propôs (também meu conhecido) a cortar meu cabelo e disse: “Baixa um pouquinho nas laterais, mas não deixe zero”. Ele logo perguntou: “Qual numero da máquina que você quer que eu passe”. Eu disse: “Quero que você baixe um pouco as laterais com a tesoura e em cima você pode passar a máquina um”. A resposta saiu espontânea do cabeleireiro: “Nossa! Nunca vi alguém com tão pouco cabelo, valorizar tanto o pouco que resta (laterais)”. Pela primeira vez alguém me fez pensar sobre o assunto e botou em xeque minha vaidade referente aos meus poucos fios de cabelos e minha careca.

Acredite! Nada contra os cabeleireiros, mas penso que é mais cômodo, cortar cabelo com a máquina, a tarefa fica mais fácil. Sou do tempo de quando o “barbeiro” trabalhava muito mais com a tesoura e usava a máquina só em último caso (que não era elétrica, apertava nas laterais para cortar e ainda mastigava o cabelo). Talvez o tempo e a evolução da profissão tenham invertido esta prática. Mas confesso que minha preferência até hoje e para quem sabe trabalhar com habilidade com a tesoura. Por que isso não é para qualquer um, tem que ser um profissional. Para usar a máquina, ninguém precisa ser tão profissional assim. Dentro do meu ponto de vista. O ideal e ter um profissional que domine totalmente os dois, com habilidade.

Quando era criança, na faixa entre cinco e nove anos amargava um corte de nome “cadete” (estilo militar, que hoje é moda na América) todo mês. Lembro-me também que desfilei algumas vezes com aquele famoso corte “tupete do Ronaldinho na copa”. O meu ainda era “pior”, pois o “barbeiro” me deixava com uma franja. Acredite se quiser: tenho foto para provar. Olha! Vou contar uma coisa, sair para rua com “corte tupete” de franja e conga azul de biqueira branca, era estar na “crista da onda” na época, lá bairro onde eu morava. Nos dias de hoje só o Ronaldinho (fenômeno) teve coragem de voltar ao passado. Acredito fielmente que quando ele usou aquele corte estava pagando uma promessa, pois ao natural penso que ele o jamais faria.

Conversando com algumas colegas de trabalho e amigas, percebi que existe um consenso entre algumas delas, que eu desconhecia entre as mulheres. Elas acham o homem careca sexy. E claro que nem todo o careca é sexy, mas a combinação do homem e a sua calvície, natural ou induzida, às vezes trazem esta sensação a algumas delas. E você o que acha?

Se alguém se sente desconfortável com sua careca imposta pela natureza e não por uma opção, existem varias soluções fáceis, ao alcance de todos. Implante, peruca, remédios, etc. Mas se não desejar ir contra a natureza, relaxe e faça como eu: “curta a sua careca com todos os seus pros e contras”.

Paulo Monauer