Wednesday, February 5, 2014

A história da comunidade brasileira em Boston tem muita coisa na obscuridade

Hello Opinião!
A história da comunidade brasileira em Boston tem muita coisa na obscuridade
Brasileiros emergentes e a elite brasileira requintada de Boston

A história da comunidade brasileira de Boston tem muitas facetas, mas hoje gostaria de abordar dois lados, um conhecido por todos os brasileiros o outro obscuro, longínquo, totalmente desconhecido. Em uma interpretação mais radical, poderíamos classificar como um lado sendo a ‘burguesia brasileira’ e o outro lado constituído pela ‘ralé’ do povo. Os dois lados se dividem por um muro imaginário, como se nossa verdadeira comunidade vivesse dentro de uma ala comunista menos valorizada e outra parte dentro da ala aristocrática elitizada.
A ala dos peões anda livremente na ala aristocrática dos intelectuais da nossa comunidade e é mais despojada, desmitificando este muro separatista imaginário. Enquanto que ala aristocrática vive dentro do seu casulo no seu mundo e raramente avança para ala dos peões.
 A ala dos peões vive, transpira, divulga, representa o Brasil, leva a cultura brasileira no coração, na raça e difunde o Brasil em Boston como ninguém. Ela poderia ser definida como um pelotão de infantaria, ou seja, vai para linha de confronto, de frente, de invasão do território inimigo buscando espaço de peito aberto destemida com a cara e a coragem, com ou sem inglês, com ou sem um português perfeito, não quer nem saber e vai à luta, cria seu espaço sem pedir licença, se impõe produtivamente. Este somos nós da comunidade aberta, dos empreendedores, dos emergentes brasileiros de Boston, a verdadeira imagem do Brasil em solo americano.
A outra ala brasileira elitizada não se mistura com a ala dos peões. Vivem em Boston buscando todo tempo aumentar seu leque de amigos americanos, abrindo mão da maioria dos seus costumes culturais, em alguns casos escondendo até a sua nacionalidade, e fazem a opção de viver a cultura americana na totalidade, chegando a esquecer a sua, por que sentem superiores aos seus conterrâneos que vivem ‘teoricamente na periferia’, e ao mesmo tempo se sente inferiores aos americanos e querem ser igual a eles. Existem alguns deles que depois de algum tempo chegam a dizer que esqueceram o português. Como podem dizer isso? Nos dias de hoje isso é inaceitável.
Tem tanta gente da burguesia brasileira conhecidíssimas na alta sociedade do Brasil que vive ou que já viveu em Boston como estudante, como profissional, como residente definitivo ou como executivo de multinacionais que jamais se dignaram em comer em um restaurante brasileiro para matar a saudade de um arroz e feijão. Entrar em cidades como Somerville, Everett, Framingham, nem pensar, seria uma ofensa para eles serem confundidos como os brasileiros, e isso poderia manchar, marcar a elite, ou o nível que eles se colocam no mundo (existem raras exceções neste meio, mas existe). Quanta hipocrisia. E têm alguns destes ‘seres superiores brasileiros’ que são hiper valorizados por uma meia dúzia de brasileiros da ala da ‘ralé’, a nossa ala mais produtiva da comunidade, e os trazem para o nosso meio como celebridades, como seres exemplares de sucesso a serem ouvidos, para servirem de exemplos, por que são pertencentes da banda burocrática, da turma dos brasileiros de nariz em pé, de Boston.
Alguns brasileiros da ala mais ‘clássica nacional brasileira’, falo da nossa ala mais trabalhadora, desconhecem o muro e se expõe ou seus filhos, se formam na mesma faculdade da elite, e depois em muitos casos voltam para praticar o que aprenderam lá aqui no nosso meio e fazem fortunas dentro da comunidade. Falo de dentistas, advogados, professores, profissionais liberais, etc. Nem todos que invadem a ala aristocrática, voltam sem sequelas, porém alguns trazem resíduos de superioridade e chegam negar a sua nacionalidade na cara dos seus conterrâneos. Outro dia vi com meus próprios olhos um advogado brasileiro, dizer em frente a um juiz em uma corte que não sabia falar muito bem português, que falava pouco, ou quase nada ao ser questionado pelo juiz, pois ele representava uma brasileira. Este advogado é brasileiro, nasceu no Brasil, namora uma brasileira, faz propaganda na mídia brasileira, etc., etc., vive do dinheiro da comunidade brasileira lutadora, mas na frente de um juiz negou a sua ‘origem’ brasileira, sua nacionalidade, ao dizer que falava quase nada em português, ele ficou com vergonha do que? Ou teve medo de perder o caso por assumir sua língua primitiva?
Apregoamos em coro que somos mais ou menos 300 mil brasileiros em Boston, eu diria que podemos agregar sem errar mais uns 20 ou 30 mil, e estes estão localizados nas alas universitárias ou como moradores fixos de Boston, escondidos no meio da comunidade americana e preferem viver como o óleo e água, que até podem por um momento ficar no mesmo espaço por puro interesse, mais que jamais vão se misturar.
Alguém precisa falar e tentar explicar isso, levantar o debate, trazer a pauta o tema, afinal de contas isso é uma verdade concreta de algumas vidas ‘abstratas’ dentro do nosso contexto brasileiro local. 
A desigualdade social velada na nossa comunidade é imposta não pelo poder aquisitivo de cada um, até por que tem peão que tem muito mais dinheiro e fortuna que a turma da elite, a discriminação, a vergonha de aceitar um convívio sem desigualdades vem de berço do Brasil. A dificuldade deles (elite) é de aceitar os novos emergentes, os novos afortunados, por que eles não tem a classe social, estudo e cultura que eles têm. Contudo igualdade social é facilmente alcançada de uma maneira tão onipresente neste país que a sociedade americana se mistura de um jeito tal que às vezes a gente nem sabe quem é quem. Pena que muita gente vem do Brasil para cá e não aprendem esta lição básica de um país de primeiro mundo. Este é o país dos emergentes, hoje você é pobre amanhã você é rico, e isso é um fato, mas a beleza disto e que aqui aprendemos junto com tudo isso que ninguém é melhor que ninguém e que o ser humano é que esta em alta, não seu poder aquisitivo ou colocação social. 

HBN – Paulo Monauer
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