Thursday, August 20, 2009

ONGs, políticos e mais espaço na mídia para eles em Massachusetts

Semana passada um amigo me perguntou se tenho preferências por políticos locais ou a favor de alguma ONG em Massachusetts e por que não abria mais espaço no meio de comunicação que trabalho para as pessoas envolvidas. Coincidentemente, há cerca de quatro semanas, um antigo conhecido, ativista político na comunidade, quis saber minha posição referentes às ONGs, pois havia fundado recentemente uma ONG e pediu uma oportunidade para divulgá-la. Há cerca de um ano e meio, um dos mais famosos e tradicionais donos de ONG de MA, em uma conversa reservada no meu último trabalho, relatava para mim e outro colega, que estava pedindo falência, perdendo a casa que morava e não estava ganhando de dinheiro na sua ONG. Mostrou-se desesperado e queria ajuda nesta situação. Perguntou se podíamos abrir mais espaço no veículo que trabalhávamos para difundir sua ONG. Situações ocorridas em tempos distintos, levantadas por um amigo e dois donos de ONGs.
Qual a ligação nestas três questões que por fim se interligam?
1- Ao meu amigo respondi que não tinha nem tenho lado entre ONGs e política local. Ele insistiu e ficou meio surpreso. Ao mesmo tempo retrucou que todo mundo tem que ter um lado na vida e na sociedade. Novamente respondi que não tinha lado, mas era a favor de qualquer pessoa, ONG ou político que estivesse fazendo melhorias para comunidade e que não enganava a mesma.
2- Ao ativista que virou “Ongueiro” (alguém que vira dono de ONG vitalício) e pediu espaço no jornal para divulgar sua nova ONG e arrecadar mais dinheiro, disse claramente que se quisesse fazer a diferença nos meios das ONGs já existentes, deveria atuar com um sindicato no Brasil. Mostrar serviço e resultados diferentes das outras ONGs que já existem. Ter como sede um local amplo, buscar ganhar fundos na comunidade e doações como é de praxe e oferecer algo para a comunidade que não fosse somente situações de um atravessador ou despachante comunitário, coisa que todas as ONGs fazem ao prestar o serviço. O que é um atravessador ou despachante comunitário? É aquele que tem uma salinha com carinha de bem pobre e sem recursos, uma mesa, um telefone e quando muito, uma secretaria ou voluntario para atender as ligações. Pois a grande maioria adora uma secretaria eletrônica com a mensagem: “retornaremos a sua ligação assim que puder”. As pessoas ligam, falam sobre seus problemas e eles os encaminham à defensoria pública do estado ou a alguma advogado para representá-lo na dificuldade. Em alguns momentos, quando se tem tempo e pessoas para trabalhar, ligam para a outra parte que esta sendo acusada tentando buscar uma solução. Isso é que todas fazem. Mas como uma ONG pode agir como um sindicato no Brasil? O ativista agora dono de ONG me perguntou. Expliquei que no Brasil o sindicato recebe um dia de salário do trabalhador por lei e é por ai que eles fazem “grana”. Aqui, as ONGs fazem dinheiro ao filiar associados e cobrar uma anuidade. Adoram uma adoção espontânea, principalmente de advogados, empresários, etc. Fazem jantares de gala, arranjam patrocinadores e cobram entrada para o jantar. E claro, enviam cartas o ano inteiro pedindo dinheiro a instituições privadas, fundações ou órgãos governamentais. Procuram mostrar serviço no trivial para manter a fachada, promovem cursos de qualquer coisa que possam ajudar o imigrante (isso ajuda a ganhar doações). Agora que foram explicadas algumas coisas, vamos a minha sugestão para este ativista comunitário que sofria coma falta de idéias. Disse para ele que deveria montar um consultório dentário comunitário e ter um atendimento de clinica geral dentro da ONG, com todos os equipamentos e serviços doados ou a um custo muito baixo, para ir ao encontro das necessidades do nosso povo imigrante. Isso é o que os sindicatos fazem no Brasil e não temos aqui. Ele desanimou. E disse: “Isso dá trabalho demais!”
3- No terceiro caso, do “Ongueiro” famoso que gosta de passar atestado de pobreza, (acredito que é por isso que estava contando sobre seus problemas financeiros sem ser perguntado ), afirmava estar em “banca rota” total. Sugeri que procurasse outra forma de ganhar dinheiro, pois a que estava usando não trazia os resultados esperados. Ele até hoje não trocou de trabalho e continua firme na ONG. Deu declarações na imprensa de faturamentos estonteantes da sua ONG em 2008, na ordem de 350mil e que estava em dificuldades, pois costuma faturar $450 mil por ano. Não sei para onde vai todo este dinheiro, para o imigrante é que não é! Hoje, diz ter dado a volta por cima e anuncia aos quatro ventos que aprendeu a administrar suas dividas e seu dinheiro.
Para finalizar este tema, acho que todo o trabalhador faz jus a um salário condizente e digno com a função. Seja ela qual for. Isso não denigre a imagem de ninguém, muito pelo contrário valoriza o individuo e o valoriza na sua função. Apesar disso tudo, muitos que trabalham com ONGs preferem fazer o jogo do “atestado de pobreza”, usando um carro velho e coisas do tipo. Contradizem-se e muitas vezes deixam escapar algumas informações que provam justamente o contrário, que vida deles não é tão difícil assim como apregoam, como por exemplo: Vão ao Brasil três ou quatro vezes por ano, fazem viagens constantes a outros estados, tem uma carga horária muito flexível e sonham ser políticos de carreira um dia, apesar de sempre negarem o fato.
Um bom exemplo a ser seguido é o de algumas ONGs na região de Framingham, que há muito tempo oferecem serviços dentários e clínicos gratuitos a qualquer um e nem precisa ser um associado. A nossa comunidade brasileira necessita das ONGs, elas precisam melhorar seu desempenho, que é fraco, e falta muita transparência em todas elas. Deveriam publicar em meios de comunicação os seus balanços anuais, prestar contas a comunidade e não esconder nada, pois vivem da comunidade ou não? Para prosperarem, precisam investir os recursos que captam para oferecer serviços aos imigrantes com maior clareza e resultado.
Quanto as minhas preferências, não tenho e aprecio a todos. Sempre publicaremos atividades das ONGs que façam diferença para comunidade, entretanto não faremos propaganda gratuita de engodo. Pelo tempo que tenho na mídia, deu para conhecer todos os “papagaios piratas” da região. Aprendi a separar o joio do trigo. E você aprendeu também?

Paulo Monauer

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