Tuesday, August 7, 2012

A banalização da palavra e titulo de Pastor

As igrejas protestantes vivem uma crise de identidade, pela banalização da palavra e titulo de Pastor. Qualquer um pode ser e é um pastor, sabe-se lá quem designou quem. Na minha época de garoto quando se falava em igreja protestante se falava na Igreja Adventista, Presbiteriana, Pentecostal, Assembleia de Deus e Testemunhas de Jeová, Mórmons, todas estas centenárias. Hoje se abre uma igreja a cada esquina, aqui em Boston. Todo mundo usa e abusa do título, eu sou ‘Pastor’.
Apesar disso qualquer um hoje tem o titulo de Pastor. Pior do que isso é todos que são Pastores querem ou no mínimo sonham em serem Pastores Presidentes da sua própria igreja. Sonho justo, afinal todos devemos ser ambiciosos, mas a que preço? Para abrir uma igreja, basta uma salinha, com meia dúzia de cadeiras e três fieis. Já tá valendo, e é assim que maioria começa no mundo ecumênico e eclesiástico. A grande maioria não vai muito longe, tem um tempo de vida pré-determinado, e por fim acaba se agregando a outro Pastor e outra igreja para tentar ir em frente, aquela coisa de unir forças e fiéis, para ver se da certo.
O pior de tudo isso é que hoje tem mais pastores que ovelhas, e muitos deles não se dão entre si, a grande maioria conhece algo podre um do outro, ou tem algum resentimento que não conseguem às vezes nem dividir a mesma sala, e todos se dizem ungidos de Deus nas suas reuniões.  E quem sou eu para contestar?
A grande luta individual de cada um é ganhar mais ovelhas, libertar o pecador, e trazer eles de volta para Cristo. Este é o discurso oficial. Contudo nos bastidores das igrejas rola coisas que até Deus duvida que isso esteja acontecendo, e o pior que muitos deles fazem mil e uma promessas e dizem fazer tudo em nome de Jesus, será?
Hoje o que mais existe em algumas igrejas são alguns fiéis de fácil manipulação, sem orientação pessoal, sem discernimento, que acreditam em qualquer coisa, e para isso fazem qualquer coisa até se jogam no chão, gritam apavoradamente e dizem estarem se libertando.
Não obstante a agressividade, gritos, berros não fez parte e nunca fará em nem fez do dia a dia de Cristo ou dos profetas, e para entender isso ninguém precisa ser formado em teologia. Logo, pregar aos berros liberta uns e assusta outros que não se sente confortável nestes ambientes de muito barulho.
Hoje em Boston tem Pastor de tudo quanto é ordem, pela facilidade de se conseguir este titulo, mas a atividade mais popular dos pastores e ir para as rádios e fazer o seu programa, nada contra, dá ibope e quem sabe até pode trazer mais ovelhas para o rebanho. Entretanto muitas vezes estes programas de rádio são só para manter os próprios devotos da igreja do Pastor radialista, aquela meia dúzia, por que se o Pastor não faz o programa de rádio, e o pastor concorrente faz, ele vai acabar perdendo fiéis para a igreja do vizinho.
Tem gente boa, correta, honesta, limpa, e realmente espiritual, que de alguma forma faz muito bem para a sociedade e comunidade entre os Pastores da região de Boston, e todos nós sabemos disto. Nem todo mundo é farinha do mesmo saco. Mas também tem a turma que envergonha a classe, e eles estão crescendo muito rápido, se espalhando como joio no trigo.
O Brasil hoje é maior fábrica de pastores do mundo, e a maior fábrica de igrejas também. A coisa virou uma indústria e o dinheiro é o poder de barganha que mostra a força espiritual que cada Pastor Presidente tem nas mãos. Quanto mais dinheiro mais espiritualidade a igreja tem, consequentemente mais fiéis. A onde vai parar tudo isso? Não sei.
Talvez logo, logo apareça uma medida eficiente do governo que pode quem sabe assustar alguns como, por exemplo: acabar com a mamata das igrejas de não pagarem impostos e não terem suas receitas auditas pelo fisco.
Em Boston nos últimos tempos dentro da comunidade brasileira, já vimos e ouvimos falar de tudo um pouco sobre os pastores locais, mas ainda não vimos tudo. Tivemos Pastor que falava com os anjos, Pastora que fazia sexo com as garotinhas/menininhas menores da sua igreja, Pastor que durante o seu programa de rádio falou horrores para fiéis no ar como: ‘......... se eu estivesse no Brasil eu ia mandar te dar uma coça, eu vou te integrar para imigração......’, Pastor que é preso pela imigração e que desdenha da imigração e da polícia americana ao se referir a sua prisão depois de ficar mais de 15 dias enjaulado, é quando foi solto vendeu manchetes como: ‘...eu estava de férias na cadeia da imigração, etc....’. E agora o Presidente de umas maiores igrejas protestantes de Boston o Pastor/Bispo J Moura, conhecidíssimo da comunidade traiu a sua esposa com algumas amantes entre elas a tesoureira da sua própria igreja.
A coisa tá feia. Pecar é coisa normal, para qualquer ser mortal, mas não pega bem para quem vende austeridade, fidelidade, vive e sustenta a sua família da palavra de Deus e tem como profissão Pastorear fiéis. Definitivamente estes não podem trair esposa, ofender na rádio, menosprezar a polícia, bilinear crianças, e por ai vai.
Mas vamos em frente e quem não tem pecado que atire a primeira pedra!

Boa semana!

Paulo Monauer
www.hellobrazilnews.com
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