Wednesday, October 11, 2017

Morte sai prá lá!

Não gosto de pensar nisto, mas não me nego o risco eminente de morrer sem um aviso prévio. O ditado não ajuda e passa batido no meu pensamento; ‘Para morrer basta estar vivo’. Este ditado soa para mim como algo muito trivial e imparcial, parece uma coisa mecânica. Às vezes penso na morte como uma coisa de terror. Sinto que o obvio vai acontecer e não me sinto confortável em vida pensando nisto: Vão me colocar em caixão, vão me enterrar, vão me queimar, etc. Pensar que vão fazer isso comigo enquanto ainda estou vivo, me assusta. Na verdade meu coração e mente se acalma quando penso que quando isso acontecer supostamente ou de fato, vou estar morto, e nenhuma destas sensações de terror e medo vão me afligir naquele momento do dito tal sepultamento.         
No sou paranóico, não penso isso sempre, preciso de uma motivação ou tragédia para relembrar minha mente desta situação que um dia com certeza vai ser a minha. Às vezes nas minhas loucuras destes pensamentos macabros fico tentando achar alternativas e acho que gostaria de ser enterrado em lugar onde eu tivesse a liberdade de sair, caso acordasse e ai teria descoberto que não havia morrido. Selar um morto a morte, colocando ele a sete palmos debaixo da terra ou selando sua sepultura ou gaveta com cimento, ou mesmo queimando o corpo, me parece tétrico. 
Na verdade já viajei nestes pensamentos da morte, algumas vezes nestes 58 anos que tenho de vida. Vive bastante já. Tem gente que vai embora bem rapidinho ou mais cedo do que o tempo que já vivi. Meu plano de vida pessoal é chegar aos 100 anos, de boa. Logo me sinto jovem, estou na metade do caminho. Tenho saúde, força, animo trabalho, alegria, sonhos, motivações e ambições. To cheio de motivos para viver e viver muito. Oxalá eu viva até Cristo voltar e em um piscar de olhos eu possa passar pela morte, logo esta história de funeral, tumulo, etc., no meu caso passaria batido por ela.
Poucos meses atrás fui em casamento de família na Flórida, cheguei com algumas dores na cabeça, nada de especial, pouco tempo depois o mundo mudou. Eu não me lembro de nada, mas  minha família diz que eu brigava com os médicos, que eu tinha nada, e que estava bem. Fizeram uma exame na minha cabeça e verificaram que estava com uma hemorragia dentro da cabeça, com origem desconhecida.
De pronto informaram a minha família que eu deveria ser operado o quando antes, e para isso chamaram um helicóptero, minha memória partiu do meu corpo ela não existia mais. Acordei um dia depois, com todos os meus filhos ao redor da cama, minha esposa, meus netos e por ai vai. Reconheci todos eles no primeiro olhar, e ai relataram o que se passou comigo. Minha cabeça tinha inúmeros pontos, mas meus braços e pernas, e aparência física estavam intactos. Vinhas às enfermeiras e me perguntavam que dia era hoje, qual data do meu aniversário, qual o meu nome, etc. Não me lembrava de datas. Tinha dificuldade para falar, e do nada perdi meu português, e só conseguia falara em inglês. Coisas da cabeça. Se eu ficava nervoso pedia a voz, e ele voltava horas depois. Fiquei uma semana e alguns dias na Flórida, não podia pegar um avião.
Porém, tudo passou, não fiquei com nenhuma sequelas, só uma cicatriz na cabeça, penso as vezes que morri e voltei, não sei ao certo, mas acho que ganhei uma segunda chance. Morrer é estranho, ou melhor, apagar é estranho, voltar às vezes é pior ainda, pois você esta cheio de dúvidas e agradecimentos. Hoje estou bem, mas a morte ronda todos nós, só não sabemos a hora certa que ela chega. Às vezes forçamos uma barra para ela vir logo, quando dirigimos depois de beber, não se cuidamos ou nos expomos demais a perigos desnecessários achando que somos os valentões.  No meu caso tudo passou, e estou de novo na ativa, acho que pior do antes, rsrs. 
Mas às vezes me pego pensando; que nada vai comigo de material, talvez o que vou levar é meus pensamentos, minhas idéias de vida, meu último olhar para mundo, não o mundo em geral, mas o meu último olhar para o meu mundo pessoal, que gira em tornos dos meus e de minha família. Meu globo de vida é pequeno, meu mundo pessoal é restrito, mas adoro viver nele, ao lado dos meus queridos, amo eles. Oxalá chegue aos 100 anos, afinal este é meu projeto de vida.


No comments:

Post a Comment